Me levando de volta para mim

6 de março de 2012 - Postado por Raquel Vandromel às 13:05


Nos últimos tempos, inspirada por uma leitura agradável, adquiri um novo hábito. Um hábito milenar que incorporei ao meu dia-dia. Passei a tomar chá regularmente.

E o que isso tem a ver com resenhas, livros, discos e arte? Tem tudo a ver. Meu hábito mais recente está sempre acompanhado de um hábito antigo. Quando paro para tomar meu chá, ele está sempre acompanhado de um bom disco ou um bom livro. O momento do chá é meu momento de apreciação de coisas boas. Apreciação da calmaria, de escutar a mim mesma, meu melhor momento de introspecção. Ali, na bolha de chá e arte, nada pode me estressar ou tirar o meu foco em me acalmar.

Confesso que com esse calor, tem sido difícil tomar chá todos os dias. A correria da minha rotina também não ajuda. Mas tenho me esforçado em transformar meu hábito em ritual.

O ritual de esquentar a água na chaleira e despejá-la lentamente na caneca de cerâmica listrada e apreciar o gostoso aroma quente que sobe e me embaça as lentes dos óculos. O ritual de me sentar à cama e, a meia luz, folhear um livro e mergulhar na história que ele me traz. O ritual de estar embalada pelo sabor suave da camomila e do jazz que toca ao fundo.

Tenho até lido sobre a arte de se tomar chá. Hábito, ritual, hobby. Chamem do que quiser. Minha mãe chama de "velhice", eu chamo de "meu momento de paz".

Daí que como parte do processo, eu "curti" a página do Twinings. Ahn? Que isso? Covenhamos que se há uma coisa que os inleses sabem bem (além de música e estilo) é sobre chá. Twinings é uma marca inglesa de chás que perdura a pelo menos 100 anos. Tradicional. O chá é maravilhoso. Mas a questão é que o feed deles está na minha página no Facebook e eles acabaram de lançar uma nova campanha que se chama "Twinings. Gets you back to You".

Dois vídeos fofos da campanha:

Esse com a Charlene Soraia cantando "Whatever You Will Go



E esse com a Lissie cantando "Go Your Own Way":



Tudo bem que a escolha de Whatever You Will Go não é das melhores, mas o fato que me deixou de cara é que eles pegaram bem o espiríto da coisa. Meu "ritual" do chá é exatamente para "me encontrar" de novo. Seja depois de um dia difícil, seja porque algo me chateou de alguma forma. Aquele momento é meu, comigo, para mim e mais ninguém. Então o slogan "Twinings. Gets You back to You" é perfeito e traduz tudo que eu penso e sinto sobre isso.

Delícia ser compreendida pela minha marca favorita de chá. Me deixou ainda mais ligada a Twinings.

E mais legal ainda é ver como há todo um trabalho de marca nas mídias digitais. Eles unem a tradição do chá Twinings, contando histórias de como foi criado e talz com a modernidade. O canal da Twinings no Youtube é super bacana, eles têm uma página no Facebook com quase 50,000 likes.

Eles postaram um vídeo da cantora Lissie contando um pouco da sua história e no site eles disponibilizam a "Go Your Own Way" para download:


Assista o vídeo da Lissie:


Quem disse que só as marcas "descoladas" podem fazer bom uso das ferramentas digitais?

Sou ainda mais fã.


Ui, rapidinhas! - Arctic Monkeys, Y U NO MINE?

1 de março de 2012 - Postado por Raquel Vandromel às 11:51

Brincadeiras a parte, a deliciosa “R U Mine?” do Arctic Monkeys, lançada no domingo, dia 26.02, parece uma mistura perfeita entre os ingleses e os americanos do Black Keys. Guitarras, baterias, ruídos e vozes roucas.

SENSA. Daquelas que você abusa liricamente do botão replay e pede bis porque não dá pra parar de ouvir. Daquelas que a letra gruda de um jeito que nem “ai, se eu te pego” tira!

Os meninos do AM simplesmente “soltaram” essa música assim, na madruga boladona esperando nada acontecer e de repente, tava lá. Olha só! Até onde sabemos a música não faz parte de nenhum álbum, single ou EP, foi só um presente para a humanidade!

De quebra ainda ganhamos um clipe charmosérrimo que conta com o Alex Turner com cara de bad boy. Super homemade, mas muito bom!


Confere comigo, vem:



Depois desse clipe, a dúvida que fica é “Alex Turner, Y U NO MINE?”. Alex, se você me perguntar mais uma vez “r u mine?” vou ter que citar Jason Mraz e te dizer “baby, I’m yours”.

"Até tu, Brutus?" - The Ides of March

10 de fevereiro de 2012 - Postado por Raquel Vandromel às 18:16


The Ides of March, ou Tudo pelo Poder, como a distribuidora brasileira resolveu chamar, é um filme de roteiro, direção e atuação de George Clooney.

Eu fui procurar o que era "Ides". Não achei. Aí, joguei no Google um "Ides of March" e me veio a definição que basicamente fala a minha impressão que ficou do filme. Dubialidade pura. Durante todo o filme. E é isso o conceito de Ides of March (o termo, não o filme). 

Ides vem do latim "Idus" que quer dizer "divisão ao meio". Costumava-se usar esse termo para o dia 15 de março que marcava a metade do mês no calendário romano. Nos tempos modernos, Ides of March foi o dia em que Júlio César foi esfaqueado até a morte no Senado Romano por um grupo de conspiradores liderados por Brutus, um dos aliados mais confiáveis ​​de César e um amigo de longa data.

História e roteiro se misturam nesse jogo de caráter. Fiquei pensando que as distribuidoras brasileiras de cinema adoram colocar nomes sem noção para os filmes americanos porque não "Dubialidade"? Faria muito mais sentido. Enfim.

Eu confesso que o elenco foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Ryan Gosling e George Clooney (no time dos BBAs - Bonitos e Bons Atores) e Paul Giamatti, Phillip Seymour Hoffman (eterno Capote e Lester Bangs), Marisa Tomei e Evan Rachel Wood só podia sair coisa boa.

Depois que as letrinhas subiram, eu tinha dois comentários básicos. O primeiro é que, realmente, esse time de atores foi certeiro. E segundo que o que mais me impressionou em Ides of March foi a atualidade da coisa toda.

Siga essa receita básica: Pegue o roteiro desse filme e troque o nome dos personagens e do país por qualquer governo, sei lá, da Lituânia. Sim, você ainda vai ter a mesma história, bem fiel. A única diferença é que ele não concorreria mais a obra de ficção, mas sim como melhor documentário.

A trama é muito boa, os diálogos são inteligentes e o "deixa ficar subentendido, beibe" dá um super fôlego para a história. Não vou entrar nos meros políticos porque não me sinto capacitada a tal. Assisti o filme como uma amante da sétima arte e como, claro, eleitora. Só digo que a minha metade amante adorou o filme, a minha metade eleitora se revoltou ainda mais com os absurdos que deixamos escapar.

Agora, a minha metade RP ficou fascinada. Devo dizer, assim como "Obrigado por Fumar", sinto que Ides também deveria se tornar quase que obrigatório para um Relações-Públicas em formação.  

Resumidamente, a história traz um gerente da campanha (Gosling) de um forte candidato a presidência (Clooney) que acreditava muito que seu candidato poderia mudar o mundo, acontece que o Senador Mike Mayers teve um breve caso com a secretária de sua campanha, uma moça de 20 anos (Evan R. Wood) que engravida dele. Ao saber de toda essa podreraiada, o personagem de Gosling, Stephen faz algumas coisas não tão "honestas", digamos assim, para "jogar a merda no ventilador".

Eu confesso que senti falta do "pós-caos", ou seja, depois que Stephen vai a público contar o que sabe, (o filme acaba nesse momento). Queria ver a gestão de crise, o planejamento, a loucura. Queria ver o circo pegar fogo. 

Se pararmos para pensar, nada daquilo teria acontecido se o Senador Mayers dissesse a verdade. Bill Clinton mentiu da primeira e precisou de uma segunda chance (por livre e espontânea pressão) para falar que sim, teve relações com a moça Lewinsky. Na política, ao contrário do cenário de empresas que podem contratar 'n' especialistas para avaliar um erro técnico, o político tem apenas sua palavra. Aliás, quando votamos neles, no que estamos acreditando? Em suas palavras, que são nossa única garantia.

A relação com a imprensa durante todo o filme é um caso a parte. Marisa Tomei faz uma repórter que se aproxima dos heads da campanha para conseguir informações exclusivas. É uma valsa, ou melhor, é um tango de amor e ódio entre ambas as partes. Interessantíssimo ver o jogo de interesses, o "te amo pra sempre, te amo demais, até daqui a pouco, até nunca mais."

Não quero transformar esse post em um artigo de Relações Públicas, juro. Mas o mais interessante de observar nesse filme é a construção dos personagens, de caráter. Observar como cada um reage a uma mesma crise, como cada um se desenvolve com o desenrolar da trama. Na faculdade temos aulas de antropologia, filosofia, sociologia e psicologia e eu juro, elas não são em vão. Não estão lá para cumprir curriculo. Quando você percebe que o que você faz envolve entender pessoas diferentes com reações e maneiras diferentes, você entende sobre atendê-los e compreendê-los melhor. Isso facilita seu trabalho e dinamiza suas ações e reações. Posso dizer que Ides clareou minhas ideias.

Tem que entrar no seu must see. O filme inteiro é um tapa na cara da sociedade, daqueles que você fica até envergonhado de ser tão omitido de assuntos políticos como esses. Bem e mal se misturam, se intercalam. Há um claro "o fim justificam os meios", mas você se pergunta, será? Será que justifica eu manipular, enganar e chantagear para me vingar de algo de errado? Estamos pagando com a mesma moeda. Isso não faz de Stephen tão baixo quanto o Senador Mayers? O filme testa sua dignidade o tempo todo, seu senso de justiça fica a flor da pele.

Assiste o trailer abaixo e anota na agenda pra não esquecer de assistir ele inteiro e depois me conta o que achou!

Mallu e o "Pitanga"

27 de dezembro de 2011 - Postado por Raquel Vandromel às 12:56

Sem dúvida, Mallu Magalhães cresceu. Ela amadureceu musicalmente. Não é só na aparência que a menina-mulher se envaideceu. Com melodias mais trabalhadas e muito mais instrumentos, Mallu deixou a infância para trás, definitivamente. E, ainda bem, muitos dos sussurros e gemidos se foram nesse novo trabalho intitulado “Pitanga”.

O álbum todo é ótimo, mas a música que mais me impressiona é “Por que você faz assim comigo?”. Quase que sinto a dor que ela sente. E o que canta (sem gemer, olha só!) com a angústia de quem perdeu algo bom. Uma música quando é boa, nos transporta para onde o cantor/compositor está. Estive lá, em frente ao mar, pedindo mais sorte e aprendendo a navegar na imensidão da vida, me tornando mais forte, mesmo sendo tão pequenina perto do tamanho das coisas que acontecem a minha volta. E tem as mãos do Camelo ali, em cada verso, cada estrofe, cada palavra; na cadência das batidas, na nostalgia que a melodia traz. Não necessariamente ele seja a causa de toda a dor de Mallu. Aliás, não acredito que seja. Sinto que ele é o mar a quem ela pede sorte, ele é quem a faz ser maior e mais forte. Talvez a decepção tenha vindo por alguém muito próximo, não tem como saber...A maturidade lhe bate como as ondas que quebram no mar. "Talvez eu seja pequena, lhe cause tanto problema que já não lhe cabe me cuidar. Talvez eu deva ser forte, pedir ao mar por mais sorte e aprender a navegar."

"Pitanga" (2011)
O resto do álbum é calmo, límpido. Ela traz mais firmeza na voz, mais maturidade que, realmente, só viria com o tempo. Tenho a impressão constante de que esse álbum é o ato de sair de um casulo, de tirar uma blusa que não lhe serve mais, da qual ela se sentia desconfortável. Mallu se sente mais segura em cantar e em compor. Nada de “Tchubarubas”, ela canta para o “seu moreno”, ela canta sobre a dor e sobre a sorte. 

Como não podia ser diferente, metade do álbum é em inglês. Nada mais justo, afinal suas maiores influências são gringas, tais como Bob Dylan e companhia. Mas ela mescla, ora inglês, ora português, tudo na mesma canção.

Em “Highly Sensitive” surge uma voz forte e seca. É Magalhães reafirmando sua confiança. “Ô, Ana” é como se Marcelo Camelo pegasse Mallu pela mão e caminhassem juntos. É como se a voz suave de Mallu, na verdade, fosse Camelo personificado. "Olha só, moreno" é uma ode ao amor. Te dá vontade de sair se apaixonando pelo tal moreno do cabelo enroladinho, só para dizer-lhe que amar devagarinho é bem melhor. É uma canção deliciosa em que me perdi nas horas, apesar de ter os curtos 3:13 que passam sorrateiramente pelos ouvidos.

Eu poderia dizer que “Pitanga” é o “Toque Dela” parte dois. É um amor que se completa por si e por música. Por letra e melodia. Talvez disseram à Mallu Magalhães “cresça e apareça!” e lá foi ela cumprir seu desafio. Ela cresceu, apareceu e me parece muito bem, obrigada.

Ouça o "Pitanga" na íntegra: